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Coisas da Mammy… Educar com palavras e com o coração.

Escrito em 30 de Jun. de 2020

Coisas da Mammy… Educar com palavras e com o coração.

Este mês não vos venho falar de desperdício zero nem de como economizar uns trocos. Tenho este cantinho de palavras como um espaço onde partilho com todos vocês as minhas “coisas”… e não podia deixar de abordar questões relacionadas com educação e filhos.

 Não gosto de ser fundamentalista nas escolhas que faço nem de seguir à risca teorias  e métodos pedagógicos. Sou curiosa e gosto de procurar informação para poder tomar decisões informadas. Recolho informação e selecciono o que faz sentido aplicar na minha vida.

Disciplina positiva, método montessori e criação com apego são conceitos que fazem parte do meu dia-a-dia. Não sigo religiosamente nenhum deles mas tiro partido de algumas orientações.

Disciplina positiva não é permitir tudo e educar sem regras. Não, muito pelo contrário, dá imenso trabalho! Requer muito mais perspicácia e sabedoria do que simplesmente levantar a mão e dar uma palmada. Sim, é isso mesmo. Não bato nos meus filhos, nem com a desculpa que é só uma palmada “para educar” ou como uma amiga me disse “A nalgada pequenina também vem do coração”.

A maioria de nós cresceu a acreditar que uma palmada na hora certa é a melhor forma de educar. Muitos dizem até que não “morreram” por causa disso. Mas se conseguirmos fazer um retorno ao passado de certeza que todos desejávamos que não tivesse acontecido. E se não podemos andar por ai a bater nos outros, porque batemos nos nossos filhos quando eles são as pessoas que mais amamos nesta vida?

As crianças aprendem essencialmente com o nosso exemplo. Que exemplo lhes queremos dar? E sabiam que elas respeitam quem admiram? Quero que os meus filhos me respeitem porque consegui conquistar isso e não porque têm medo de consequências físicas? Nem sempre vou estar ao lado deles para lhes “dar uma palmada”, então o objectivo é ajuda-los a auto regular o seu próprio comportamento, de forma positiva, afectuosa e tranquila, incutindo-lhes valores e dando-lhes ferramentas para que se tornem adultos confiantes mas conscientes que todos os nossos actos tem consequências, positivas e negativas.  

Sugestão de receitinha para a mudança:

Educar apenas com palavras e o coração, mesmo quando estamos no limiar de perder as estribeiras.

Estratégias:

1.º Firmeza na implementação de regras, que não podem de forma alguma ser quebradas. O sim deve significar sim e o não significar não (então pensar muito bem antes de responder). 

2.º Colocarmo-nos no lugar dos nossos filhos e tentar perceber o que estão a sentir. Uma criança ou adolescente desafia um adulto simplesmente porque não aprendeu ainda a expressar o que sente. Precisa que a ensinemos e temos que fazer isso com amor.

3.º Dar o exemplo

Nota: Às vezes também me “salta a tampa” e mando um berro, naqueles raros dias em que o meu filho mais velho decide desafiar os meus limites, mas quando isso acontece peço desculpa (quero que os meus filhos aprendam a pedir desculpa quando erram e magoam alguém) e faço uma pequena reflexão. Tento perceber o que poderá ter acontecido para o meu filho estar a chamar a minha atenção. Todas as vezes que isso aconteceu encontrei sempre um motivo e ao mudarmos a situação, o comportamento dele também mudou. Por exemplo, basta estar mais ocupada com trabalho e dar menos atenção para que ele se faça notar pela negativa. Mas mudando a minha postura, ele muda também a dele. 

Se estou certa ou errada?! Não sei, mas pelo menos até hoje os meus filhos não fazem grandes birras, não causam grandes distúrbios e não tenho queixas. E mais importante de tudo: Não me sinto frustrada por achar que tudo o que faço parece em vão.

Ler dois livrinhos muito bons:

Perry, P. (2019). Este é o livro que gostaria que os seus pais tivessem lido (e que os seus filhos agradecem que leia também). Lisboa: Editora.

Faber, A. e Mazlish, E. (2012) Como Falar para as Crianças Ouvirem e Ouvir para as Crianças Falarem. Editora Guerra & Paz

 

Da minha experiência de 15 anos como professora garanto que o respeito não se consegue com agressividade. E sei também que os piores casos de indisciplinas vinham de casas onde o método da palmada era exaustivamente aplicado.

Este é um tema controverso e acredito que cada um faz o melhor que sabe e consegue...mas todos conseguimos sempre melhorar.

Susana Venâncio, a Mammy Susy para o Noticías de Manteigas, junho de 2020


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