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Coisas da Mammy… Ter bebés não sai assim tão caro.

Escrito em 30 de Jul. de 2020

Antes de ter o meu primeiro filho, pensava que ter um bebé exigia uma grande gestão do nosso orçamento familiar. Só de imaginar as fraldas que ia gastar, toalhetes, cremes e produtos de higiene, leite artificial, papas, o carrinho, o ovo, o ninho para o berço, etc., quase poderia levar a que desistisse de ter filhos enquanto não enriquecesse. No entanto, e até porque nunca gostei de consumos em massa, refleti sobre os gastos que precisava mesmo de ter. Comecei por fazer uma listagem do que era essencial, do que poderia dar jeito e do que, definitivamente, só servia para gastar dinheiro. Na verdade, a sociedade moderna faz-nos acreditar que para criar um bebé são necessários recursos materiais infindáveis, o que leva muitos pais a trabalhar imenso para conseguirem providenciar todos os luxos aos seus filhos. Mas, na verdade, e como podemos ler em O Principezinho, de Saint-Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos”.

Quando estamos grávidas e vamos a uma loja de puericultura, parece que entramos com uma tabuleta de “quero comprar tudo desta loja” e somos imediatamente abordadas pela funcionária, que na verdade só está a cumprir o seu dever, e nos quer impingir uma série de coisas que poderemos nem precisar. Um dos melhores exemplos disso são os biberões. Com o meu primeiro filho, também comprei um conjunto XPTO de biberões com tetinas anatómicas que simulavam os meus mamilos, mas na verdade este é um produto que só deve ser adquirido se realmente, mais tarde, for necessário. Eu nunca usei os meus e a sua aquisição antes de o bebé nascer poderia mesmo ter sido um obstáculo ao sucesso da amamentação (assunto de que falarei um destes dias).

O primeiro artigo da minha lista de produtos essenciais são as fraldas. Ainda não inventaram bebés com dispositivo de descarga direta na sanita, então há que arranjar opções se queremos poupar uns trocos. No meu caso, movida pela procura de ser uma mãe mais ecológica e consciente, procurei soluções diferentes das habituais.

Em média, um bebé até aos 3 anos gasta 2140€ em fraldas descartáveis (e estamos a falar de marcas mais baratas). No entanto, optando por fraldas reutilizáveis, gastei cerca de 850€, poupei mais de 1200€ no primeiro filho, já a contar com acessórios e lavagens. Com o segundo bebé, esta poupança está a ser ainda maior porque estamos a reutilizar as fraldas do irmão. Só precisei de renovar o stock de fraldas bonitas para as saídas.

Usar fraldas de pano não dá assim tanto trabalho. Hoje em dia, existem modelos de fraldas iguais às fraldas descartáveis, com uma diferença – quando se tiram, não vão para o saco do lixo mas para o saco de transporte para, depois, serem lavadas na máquina de lavar. O trabalho que dão ao colocar a lavar de dois em dois dias equivale a ir todos os dias despejar o lixo para evitar o cheiro desagradáveis. Esta solução foi, sem dúvida, a mais ecológica, económica e saudável.

Teria muitos outros exemplos para vos falar em pormenor, nomeadamente do que poupei em leite artificial, por ter procurado, em diversas vezes, apoio na amamentação, mas este cantinho do jornal não seria suficiente, pelo que este assunto ficará para outra ocasião.

Concluindo, na minha lista inicial de coisas essenciais estão as fraldas e toalhitas reutilizáveis, roupa, ovo ou cadeira auto, berço, uma banheira tipo balde, um sling ou pano (para transportar o bebé ao colo, porque o carrinho dá jeito, mas não considero essencial), uma boa preparação teórica sobre amamentação e um contacto de alguém entendido para um bom acompanhamento posterior, um sabonete de calêndula artesanal para o banho, que não deve ser diário, e um creme hidratante ou óleo vegetal bio e sem químicos para hidratar apenas uma vez por semana ou quando necessário. Uma grande parte destas coisas não precisam ser novas e o último modelo do mercado, podem ser compradas em segunda mão ou pedidas emprestadas. 

Ter um bebé não sai caro. A sociedade atual, o espírito consumista e, muitas vezes, a falta de informação para tomadas de decisões conscientes é que fazem aumentar a nossa lista de gastos.

 

Susana Venâncio, a Mammy Susy para o Noticías de Manteigas, julho de 2020

 

 


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